Mostrando postagens com marcador sanidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sanidade. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Sem muito se importar com o lugar.
Um quarto quadro em branco, um cenário vazio.
Crua.
A pessoa...vazia.
A ânsia.
Tudo dói,
o amor corrói o peito até não sobrar
mais nada...
mas nada o tempo respeita.
Nem o meu tempo
parado
estagnado
que tenta buscar um tempo
errado
que deixei de viver
por deixar de existir
respeito
ao luto
da própria comédia
sádica
da tristeza que vem
bem-vinda
mas não aceita.
Sorrateiramente:
A depressão chega
pela porta dos fundos
como o jardineiro
sujo de terra, suado
arrumando o jardim
das calhas alheias
das janelas da alma
que vem a calhar
por não ter força
pra cuidar
do próprio jardim
Flávia Lages
terça-feira, 13 de setembro de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
[Aviso: O post que você pretende ler agora contém grande quantidade de "sujo falando do mal lavado"]
- Te amo.
Ok, vamos começar por aí.
Porque uma hora ou outra, a gente diz. Grande parte das vezes por pressão ou hábito, outras por querer ouvir tal expressão em retorno. Poucas vezes pela pureza e transparência do sentimento. Tudo bem: seres humanos, equilíbrio, reciprocidade.
Não é uma questão de discordar do ato, mas quem estipulou esse equilíbrio?
E como entender a camuflagem? As pessoas não podem estar com quem amam sem comprá-las com presentes? Acho que existe um limite, sabe?! E é aí que se encontra o equilíbrio. Se existir um fator externo influenciando a relação, que ele entretenha todos os envolvidos, com o fator e entre si, como por exemplo, assistir um filme.
Acho que a essência da convivência está quando o que interage é apenas você e a(s) outra(s) pessoa(s). É fácil lidar com o que for, tendo outros elementos para distração.
Vamos trabalhar mais os valores do relacionamento ao invés dos monetários então?!
Ok, próximo assunto.
(ainda no mesmo. Desculpa, gente.)
Não sei se as pessoas tem preguiça de relacionamentos ou então elas acham que o melhor relacionamento é aquele em que tudo está ótimo. Será que é excesso de conto de fadas?
Se não existem brigas e discussões, como você pode ter parâmetro pra dividir o que é bom e o que é ruim e realmente aproveitar quando as coisas estão boas? O Equilíbrio do relacionamento se encontra aí, além do que, precisa ser mantido também numa questão hierárquica, lembrando que ninguém é melhor do que ninguém. Se sujeitar a periferia de um relacionamento faz mal, tanto quanto carregá-lo nas costas. E por favor, não podemos esquecer que cada pessoa é ela-mesma 100%, logo, havendo qualquer doação de alguma das partes do relacionamento, há um desequilíbrio (vide esse texto, qualquer dúvida. Não é diretamente explicativo, porém esclarece de um modo geral).
Não tenho algo conclusivo pra fechar o que escrevi, porém, acho que não é muito difícil tirar as próprias conclusões.
E acho que isso pode ajudar algumas pessoas que vieram pedir conselhos (ou não).
Boa sorte!
- Te amo.
Ok, vamos começar por aí.
Porque uma hora ou outra, a gente diz. Grande parte das vezes por pressão ou hábito, outras por querer ouvir tal expressão em retorno. Poucas vezes pela pureza e transparência do sentimento. Tudo bem: seres humanos, equilíbrio, reciprocidade.
Não é uma questão de discordar do ato, mas quem estipulou esse equilíbrio?
E como entender a camuflagem? As pessoas não podem estar com quem amam sem comprá-las com presentes? Acho que existe um limite, sabe?! E é aí que se encontra o equilíbrio. Se existir um fator externo influenciando a relação, que ele entretenha todos os envolvidos, com o fator e entre si, como por exemplo, assistir um filme.
Acho que a essência da convivência está quando o que interage é apenas você e a(s) outra(s) pessoa(s). É fácil lidar com o que for, tendo outros elementos para distração.
Vamos trabalhar mais os valores do relacionamento ao invés dos monetários então?!
Ok, próximo assunto.
(ainda no mesmo. Desculpa, gente.)
Não sei se as pessoas tem preguiça de relacionamentos ou então elas acham que o melhor relacionamento é aquele em que tudo está ótimo. Será que é excesso de conto de fadas?
Se não existem brigas e discussões, como você pode ter parâmetro pra dividir o que é bom e o que é ruim e realmente aproveitar quando as coisas estão boas? O Equilíbrio do relacionamento se encontra aí, além do que, precisa ser mantido também numa questão hierárquica, lembrando que ninguém é melhor do que ninguém. Se sujeitar a periferia de um relacionamento faz mal, tanto quanto carregá-lo nas costas. E por favor, não podemos esquecer que cada pessoa é ela-mesma 100%, logo, havendo qualquer doação de alguma das partes do relacionamento, há um desequilíbrio (vide esse texto, qualquer dúvida. Não é diretamente explicativo, porém esclarece de um modo geral).
Não tenho algo conclusivo pra fechar o que escrevi, porém, acho que não é muito difícil tirar as próprias conclusões.
E acho que isso pode ajudar algumas pessoas que vieram pedir conselhos (ou não).
Boa sorte!
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Re-solução
Eu estarei aqui parada quando você resolver resolver.
Se resolver. Me resolver.
Resolver.
Aceitarei suas desculpas, desculpa.
Mais uma vez.
É o que fazemos melhor: fazer mais uma vez.
Mais de uma vez.
É o aperfeiçoamento da técnica da repetição do Sim.
Enquanto o tempo passa, o mundo gira e você se decide entre açucar ou adoçante...
eu fico aqui parada.
Vez o sol, vez a lua. As vezes sem vez nenhuma para nenhum dos dois.
Crio netos e você nessa indecisão.
A vida ou a morte? Ou deixar para a sorte?
A sorte pára.
Escovei meus dentes, de cima pra baixo
de um lado para o outro.
Dente por dente.
E você ainda não se decidiu?!
Percebi que estou andando e você ficou.
É verdade! Todo esse tempo eu aqui...
Estive andando e nem percebi! Puxa!
Pensei estar parada...mas não...
E você aí andando dentro da roda...
No passado, no esquecimento, no esperar.
Uma linha constante da mudança, inerte, infinita.
Vejamos. Vamos ver. E por assim ficou.
Entre um tempo e outro copo de suco.
"Faz tudo passar mais depressa.", você dizia.
De que adianta? A vida passou. Não te restou muita coisa, eu acho...
Um suco, a morte. Pouco Sim pra muito Não.
Não?
Se resolver. Me resolver.
Resolver.
Aceitarei suas desculpas, desculpa.
Mais uma vez.
É o que fazemos melhor: fazer mais uma vez.
Mais de uma vez.
É o aperfeiçoamento da técnica da repetição do Sim.
Enquanto o tempo passa, o mundo gira e você se decide entre açucar ou adoçante...
eu fico aqui parada.
Vez o sol, vez a lua. As vezes sem vez nenhuma para nenhum dos dois.
Crio netos e você nessa indecisão.
A vida ou a morte? Ou deixar para a sorte?
A sorte pára.
Escovei meus dentes, de cima pra baixo
de um lado para o outro.
Dente por dente.
E você ainda não se decidiu?!
Percebi que estou andando e você ficou.
É verdade! Todo esse tempo eu aqui...
Estive andando e nem percebi! Puxa!
Pensei estar parada...mas não...
E você aí andando dentro da roda...
No passado, no esquecimento, no esperar.
Uma linha constante da mudança, inerte, infinita.
Vejamos. Vamos ver. E por assim ficou.
Entre um tempo e outro copo de suco.
"Faz tudo passar mais depressa.", você dizia.
De que adianta? A vida passou. Não te restou muita coisa, eu acho...
Um suco, a morte. Pouco Sim pra muito Não.
Não?
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Algumas pessoas olham atravessado, é como se eu andasse chutando a minha cabeça. Ei, minha cabeça está acima do pescoço e pretendo deixá-la neste lugar por um bom tempo!
Eu poderia muito bem sentar e fazer o tempo passar mais ou menos na maior velocidade possível que eu consigo dominar. Posso pular a minha vida pra parte em que eu me canso de dizer a pessoa que amo que essa história de querer filhos é bobagem, que os pisos da sala ficam bonitos quando combinados com a cortina verde, e que foi uma ótima idéia mudarmos para uma cidade do litoral. Então agora posso me preparar para ter meu filho e envelhecer. Posso viver com minha aposentadoria, fazer algumas viagens e pensar que quem está do meu lado, bem... é alguém que eu amo, mas que eu não gosto muito já faz algum tempo. As horas tem uma duração maior, porque brigamos por coisas fúteis. Acho que é o hábito. Depois de nos juntarmos em uma pessoa só, deixamos de brigar por nós...
Ohhh! Tudo foi tão rápido. Dominique com o olhar profundo me chamou, segurou em minhas mãos por um momento e em uma fala pausada e adulta, embora eu pudesse ver claramente sua adolescência escorrendo para fora de seus poros, sussurrou:
- Ei mãe, estou saindo de casa. Já é hora. Tenho um bom emprego, namoro e não quero criar mais problemas pra vocês.
Então saiu pela porta da frente, então saiu de dentro de mim, saiu da minha cabeça, saiu e me deixou aqui, com meus poucos anos, antes que tudo pudesse acontecer, ele me deixou antes de existir.
Eu poderia muito bem sentar e fazer o tempo passar mais ou menos na maior velocidade possível que eu consigo dominar. Posso pular a minha vida pra parte em que eu me canso de dizer a pessoa que amo que essa história de querer filhos é bobagem, que os pisos da sala ficam bonitos quando combinados com a cortina verde, e que foi uma ótima idéia mudarmos para uma cidade do litoral. Então agora posso me preparar para ter meu filho e envelhecer. Posso viver com minha aposentadoria, fazer algumas viagens e pensar que quem está do meu lado, bem... é alguém que eu amo, mas que eu não gosto muito já faz algum tempo. As horas tem uma duração maior, porque brigamos por coisas fúteis. Acho que é o hábito. Depois de nos juntarmos em uma pessoa só, deixamos de brigar por nós...
Ohhh! Tudo foi tão rápido. Dominique com o olhar profundo me chamou, segurou em minhas mãos por um momento e em uma fala pausada e adulta, embora eu pudesse ver claramente sua adolescência escorrendo para fora de seus poros, sussurrou:
- Ei mãe, estou saindo de casa. Já é hora. Tenho um bom emprego, namoro e não quero criar mais problemas pra vocês.
Então saiu pela porta da frente, então saiu de dentro de mim, saiu da minha cabeça, saiu e me deixou aqui, com meus poucos anos, antes que tudo pudesse acontecer, ele me deixou antes de existir.
domingo, 20 de março de 2011
As vezes, muito raramente, a vida resolve dar uma brecha e nos dá alguns dias suaves e delicados, fazendo com que o passado amadureça e nos permitindo seguir em frente. Não sei bem se é em frente, ou talvez seja pros lados, ou mesmo pra trás.
Eu me sinto culpada por não sentir culpa, não sentir falta e não sentir...não sentir nada. Eu segui em frente, mas eu não queria ter seguido. Queria sentir remorso. Sentir que saí de um relacionamento que valeu a pena. Então vejamos. Eu anulei 2 anos da minha vida em um relacionamento bizarro e estranho que até hoje não sei explicar, de uma amizade obsessiva camuflada de amor, e depois simplesmente resolvi reservar mais um ano pra que eu pudesse choramingar e achar minha vida uma droga. Pois então. Depois de 2 anos turvos, minha vida passou a ser legal, bonita e cheia de flores. Até aí ok, só que eu penso que na vida a gente não pode pular etapas, porque as vezes elas voltam quando você está andando na corda bamba. Taí, ainda não tive meu luto do relacionamento, sinto que preciso tê-lo, fico forçando e não consigo porque eu simplesmente to feliz e continuei feliz.
Pode ser que eu tenha me acostumado tanto a sofrer, a estar sempre doente e triste que eu não me sinta a vontade estando bem.
Logo, concluo - de um modo bem confuso - que: As pessoas precisam se acostumar com o fato de eu ainda não me acostumar com o fato de eu não estar a vontade pra que então eu possa me acostumar e ficar a vontade.
É, é basicamente isso.
Eu me sinto culpada por não sentir culpa, não sentir falta e não sentir...não sentir nada. Eu segui em frente, mas eu não queria ter seguido. Queria sentir remorso. Sentir que saí de um relacionamento que valeu a pena. Então vejamos. Eu anulei 2 anos da minha vida em um relacionamento bizarro e estranho que até hoje não sei explicar, de uma amizade obsessiva camuflada de amor, e depois simplesmente resolvi reservar mais um ano pra que eu pudesse choramingar e achar minha vida uma droga. Pois então. Depois de 2 anos turvos, minha vida passou a ser legal, bonita e cheia de flores. Até aí ok, só que eu penso que na vida a gente não pode pular etapas, porque as vezes elas voltam quando você está andando na corda bamba. Taí, ainda não tive meu luto do relacionamento, sinto que preciso tê-lo, fico forçando e não consigo porque eu simplesmente to feliz e continuei feliz.
Pode ser que eu tenha me acostumado tanto a sofrer, a estar sempre doente e triste que eu não me sinta a vontade estando bem.
Logo, concluo - de um modo bem confuso - que: As pessoas precisam se acostumar com o fato de eu ainda não me acostumar com o fato de eu não estar a vontade pra que então eu possa me acostumar e ficar a vontade.
É, é basicamente isso.
Você leu sobre:
amor,
casamento,
felicidade,
fenômenos sociais,
irritação,
sanidade,
teorias
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Ok, rapaz.
De tempos em tempos eu caio na real. Tremer, gaguejar, chorar. O estômago corroendo, a cabeça corroendo. E eu não consigo explicar de uma forma clara, de um modo que as pessoas compreendam o que se passa. Mas eu vou tentar mais uma vez.
Eu levo mais ou menos duas horas pra cair no sono. Eu arquiteto planos, antes de dormir, grandes planos. Do dia seguinte, do mês seguinte, do ano seguinte, do futuro. E para cada caminho, já prevejo as opções, os desvios, tudo. E faço isso com tudo. Ok, querem um exemplo... Vejamos, eu vou dormir e penso: "amanhã eu devo acordar e desenhar". Então já planejo a folha, a cor do lapis, o desenho, a borracha, o lugar, a hora, quais músicas vou ouvir. Isso é apenas uma das coisas que penso. Passo mais ou menos duas horas pensando, como eu disse, certo? Então, imagine as milhares de coisas que passam pela minha cabeça. O fato é que eu não ponho em prática, ou ponho mas não do jeito utópico com todos os detalhes que pensei. Isso dói, dói demais. Uma coisa é você decepcionar alguém, outra coisa é você se decepcionar e conviver com uma culpa só sua direcionada para você mesmo.
Eu sempre fui protegida. Eu fui a filha protegida...ou talvez largada. Não sei bem ao certo, mas sei que as intenções foram boas. Não os culpo. Eu criei uma bolha ao meu redor que me protege de um jeito doentio. Eu analiso tanto, mas tanto...Eu simplesmente não me arrisco. Eu observo, porque as pessoas, elas fazem as coisas, elas cometem erros, muitos erros, e eu me limito a aprender com os erros delas. Eu não tenho coragem de comenter meus próprios erros. Os velhos são sábios, eles dizem: "Eu já vivi e sei que tal coisa e tal coisa acontecem da forma tal e tal". Sim, eles sabem...mas e eu?
Eu preciso sentir pra aprender. "Vivendo e aprendendo", nunca dei atenção pra essa frase porque ela é simplesmente um saco, mas se você parar pra pensar, é bem isso. O problema, é que eu não faço a minha parte, quando se trata de "viver".
Eu me diagnostiquei com uma doença que chamo de "Lupus mental". Tenho pensamentos auto-imunes.
Há um ano atrás eu entrei numa relação e lutei por ela com todas as forças. Acho que no fim das contas eu não queria a relação, eu talvez só estivesse numa inércia tal que precisasse ter pelo que lutar. Eu sabia que estava errada, estava errando, mas entrei de cabeça. Sabe, eu nunca cresci tanto.
Eu tenho uma auto-estima praticamente inexistente. Eu acredito não merecer a amizade ou o amor das pessoas. Eu acredito não agradá-las, física e psicologicamente, de forma alguma. Então eu simplesmente insisto nisso e as afasto de mim. É assim que eu faço. Então eu nunca sei quando alguém gosta de mim, porque eu censuro a pessoa. E eu sempre acho que ela fala tudo que fala apenas pra me agradar, do tipo "ah, ela é uma coitada, vou ajudá-la com algumas palavras de consolo". Eu me sinto como um estepe na vida das pessoas. Eu as faço rir, eu faço piadas, brincadeiras...Sou mais ou menos como uma TV. Você sabe, uma TV você desliga quando cansa. E eu já acostumei tanto com o fato de que, quando eu estou alegre (ou aparento estar) e fazendo piada, as pessoas se fazem próximas, que eu não me permito ficar de outra forma. Então, por mais que eu queira e precise estar chorando, eu vou estar rindo.
Nesse exato momento, neste parágrafo, parei pra analisar o texto, coisa que uma pessoa normal não deveria fazer. Todos os parágrafos começaram com "eu". Como isso me incomoda. Não consigo não me auto-criticar a cada respiro que dou. Estou escrevendo um texto explicativo sobre mim. Que doentio.
A única coisa eterna, linear e invariável que podemos ter é a morte. Morrer é algo utópico. Tenho carinho pela morte. Não que eu vá me matar, porque tenho carinho por mim também, ou sei lá, pela minha pseudo-vida. E sou muito correta pra fazer algo tão aleatório assim. Lembrando que, eu ia pensar tanto e arquitetar tanto que eu nem conseguiria morrer e morreria de desgosto por causa da decepção (?).
Eu cada dia falo menos. Minha fala não acompanha a velocidade do meu pensamento. Então apenas deixo de falar. Escrever é melhor.
Só publiquei isso porque quero que as pessoas me entendam, de uma vez por todas.
Eu levo mais ou menos duas horas pra cair no sono. Eu arquiteto planos, antes de dormir, grandes planos. Do dia seguinte, do mês seguinte, do ano seguinte, do futuro. E para cada caminho, já prevejo as opções, os desvios, tudo. E faço isso com tudo. Ok, querem um exemplo... Vejamos, eu vou dormir e penso: "amanhã eu devo acordar e desenhar". Então já planejo a folha, a cor do lapis, o desenho, a borracha, o lugar, a hora, quais músicas vou ouvir. Isso é apenas uma das coisas que penso. Passo mais ou menos duas horas pensando, como eu disse, certo? Então, imagine as milhares de coisas que passam pela minha cabeça. O fato é que eu não ponho em prática, ou ponho mas não do jeito utópico com todos os detalhes que pensei. Isso dói, dói demais. Uma coisa é você decepcionar alguém, outra coisa é você se decepcionar e conviver com uma culpa só sua direcionada para você mesmo.
Eu sempre fui protegida. Eu fui a filha protegida...ou talvez largada. Não sei bem ao certo, mas sei que as intenções foram boas. Não os culpo. Eu criei uma bolha ao meu redor que me protege de um jeito doentio. Eu analiso tanto, mas tanto...Eu simplesmente não me arrisco. Eu observo, porque as pessoas, elas fazem as coisas, elas cometem erros, muitos erros, e eu me limito a aprender com os erros delas. Eu não tenho coragem de comenter meus próprios erros. Os velhos são sábios, eles dizem: "Eu já vivi e sei que tal coisa e tal coisa acontecem da forma tal e tal". Sim, eles sabem...mas e eu?
Eu preciso sentir pra aprender. "Vivendo e aprendendo", nunca dei atenção pra essa frase porque ela é simplesmente um saco, mas se você parar pra pensar, é bem isso. O problema, é que eu não faço a minha parte, quando se trata de "viver".
Eu me diagnostiquei com uma doença que chamo de "Lupus mental". Tenho pensamentos auto-imunes.
Há um ano atrás eu entrei numa relação e lutei por ela com todas as forças. Acho que no fim das contas eu não queria a relação, eu talvez só estivesse numa inércia tal que precisasse ter pelo que lutar. Eu sabia que estava errada, estava errando, mas entrei de cabeça. Sabe, eu nunca cresci tanto.
Eu tenho uma auto-estima praticamente inexistente. Eu acredito não merecer a amizade ou o amor das pessoas. Eu acredito não agradá-las, física e psicologicamente, de forma alguma. Então eu simplesmente insisto nisso e as afasto de mim. É assim que eu faço. Então eu nunca sei quando alguém gosta de mim, porque eu censuro a pessoa. E eu sempre acho que ela fala tudo que fala apenas pra me agradar, do tipo "ah, ela é uma coitada, vou ajudá-la com algumas palavras de consolo". Eu me sinto como um estepe na vida das pessoas. Eu as faço rir, eu faço piadas, brincadeiras...Sou mais ou menos como uma TV. Você sabe, uma TV você desliga quando cansa. E eu já acostumei tanto com o fato de que, quando eu estou alegre (ou aparento estar) e fazendo piada, as pessoas se fazem próximas, que eu não me permito ficar de outra forma. Então, por mais que eu queira e precise estar chorando, eu vou estar rindo.
Nesse exato momento, neste parágrafo, parei pra analisar o texto, coisa que uma pessoa normal não deveria fazer. Todos os parágrafos começaram com "eu". Como isso me incomoda. Não consigo não me auto-criticar a cada respiro que dou. Estou escrevendo um texto explicativo sobre mim. Que doentio.
A única coisa eterna, linear e invariável que podemos ter é a morte. Morrer é algo utópico. Tenho carinho pela morte. Não que eu vá me matar, porque tenho carinho por mim também, ou sei lá, pela minha pseudo-vida. E sou muito correta pra fazer algo tão aleatório assim. Lembrando que, eu ia pensar tanto e arquitetar tanto que eu nem conseguiria morrer e morreria de desgosto por causa da decepção (?).
Eu cada dia falo menos. Minha fala não acompanha a velocidade do meu pensamento. Então apenas deixo de falar. Escrever é melhor.
Só publiquei isso porque quero que as pessoas me entendam, de uma vez por todas.
domingo, 31 de outubro de 2010
Era uma manhã.
Diferente das outras manhãs, o céu se fechava para nós.
Lençóis brancos, sento-me na ponta da cama.
O vento insistia em partir minh'alma em duas.
Duas.
Acendi o cigarro, me pus a debruçar na janela.
Havia vinho, roupa e culpa por todo o quarto.
Um sexo vazio.
O horizonte tentava se comunicar, meus olhos entreabertos.
Meu cabelo embaraçado, a situação, o lençol.
O vento.
Eu sorria para o céu, sem porquê, sorria.
Com a mão na nuca, abaixava a cabeça, pensava.
Pensava em quê? Não sei.
Nem se pensava.
O tempo passava por si só.
Palavras, quase meias.
Concordo, sim, claro, verdade.
Três e meia da tarde.
O negar, a ausência, a ousadia.
Inércia.
Uma tosse e a realidade se fazia presente.
O peso.
Já era hora de ir, a ti não mais pertencia.
Consciência.
A ti nunca pertenci.
A roupa e a culpa, levo comigo.
Do mundo sou, pro mundo partirei.
Seu coração,
parti.
Diferente das outras manhãs, o céu se fechava para nós.
Lençóis brancos, sento-me na ponta da cama.
O vento insistia em partir minh'alma em duas.
Duas.
Acendi o cigarro, me pus a debruçar na janela.
Havia vinho, roupa e culpa por todo o quarto.
Um sexo vazio.
O horizonte tentava se comunicar, meus olhos entreabertos.
Meu cabelo embaraçado, a situação, o lençol.
O vento.
Eu sorria para o céu, sem porquê, sorria.
Com a mão na nuca, abaixava a cabeça, pensava.
Pensava em quê? Não sei.
Nem se pensava.
O tempo passava por si só.
Palavras, quase meias.
Concordo, sim, claro, verdade.
Três e meia da tarde.
O negar, a ausência, a ousadia.
Inércia.
Uma tosse e a realidade se fazia presente.
O peso.
Já era hora de ir, a ti não mais pertencia.
Consciência.
A ti nunca pertenci.
A roupa e a culpa, levo comigo.
Do mundo sou, pro mundo partirei.
Seu coração,
parti.
sábado, 30 de outubro de 2010
"Quem tem medo de brincar de amor?"
Escrever pra quê? Qual o por quê disso tudo?
Escrever para arrancar do peito toda a confusão, organizar em letras e digerir.
Indigesto. Vomitar tudo e limpar a bagunça. Refazer.
Os ponteiros do relógio já não servem pra contar o tempo da pulsação. O sangue já não se aguenta nas veias. Tudo é tão frágil.
O que é o amor? Me diz, o que é Amor?
A quem amar, para quem se doar...Se doar? Se doer?
Efêmero...substitui, tu e substitui? O vento o que faz?
Quantos mais? E o que acabou, o que sumiu, o que se cortou...deixar?
Não volte pra casa, nunca volte para casa.
Não voltarei tão cedo.
O certo e o errado. Uma pessoa só uma pessoa só uma?
Todos, amará, amar a todos.
Por quem lutar?
Não é ético, não é certo. E quem disse que é? Que não é? E quem não é?
Quanto tempo podemos, temos?
Para amar. Mar.
Quanto tempo tens?
Em quanto tempo tens?
da CULPA.
O que forma a culpa? O que deforma?
De que forma. Quem afirma?
Deixo levar qualquer aperto que venha do que passou. Passado passou.
Quem se fez presente?
PRESENTE SE FEZ.
o presente.
no presente.
se fez.
se faz.
Faz-me no seu presente, agora.
Vou pedir.
e por favor,
faz.
Em quanto tempo a gente pode amar?
Em quanto tempo a gente pode se desarmar?
Autorizada estou?
Não, pois não.
E de volta ao certo e errado.
Aqui venho, assino aqui minha sentença.
Me permito. Me censuro.
Me guardo.
Admito.
Minto para mim. Min to para min.
De onde veio o ódio?
Quem permitiu a metamorfose?
Ódio feito, ódio será.
Não.
AMOR.
nasceu.
Por que?
Escrever para arrancar do peito toda a confusão, organizar em letras e digerir.
Indigesto. Vomitar tudo e limpar a bagunça. Refazer.
Os ponteiros do relógio já não servem pra contar o tempo da pulsação. O sangue já não se aguenta nas veias. Tudo é tão frágil.
O que é o amor? Me diz, o que é Amor?
A quem amar, para quem se doar...Se doar? Se doer?
Efêmero...substitui, tu e substitui? O vento o que faz?
Quantos mais? E o que acabou, o que sumiu, o que se cortou...deixar?
Não volte pra casa, nunca volte para casa.
Não voltarei tão cedo.
O certo e o errado. Uma pessoa só uma pessoa só uma?
Todos, amará, amar a todos.
Por quem lutar?
Não é ético, não é certo. E quem disse que é? Que não é? E quem não é?
Quanto tempo podemos, temos?
Para amar. Mar.
Quanto tempo tens?
Em quanto tempo tens?
da CULPA.
O que forma a culpa? O que deforma?
De que forma. Quem afirma?
Deixo levar qualquer aperto que venha do que passou. Passado passou.
Quem se fez presente?
PRESENTE SE FEZ.
o presente.
no presente.
se fez.
se faz.
Faz-me no seu presente, agora.
Vou pedir.
e por favor,
faz.
Em quanto tempo a gente pode amar?
Em quanto tempo a gente pode se desarmar?
Autorizada estou?
Não, pois não.
E de volta ao certo e errado.
Aqui venho, assino aqui minha sentença.
Me permito. Me censuro.
Me guardo.
Admito.
Minto para mim. Min to para min.
De onde veio o ódio?
Quem permitiu a metamorfose?
Ódio feito, ódio será.
Não.
AMOR.
nasceu.
Por que?
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Cápsulas
Bem estranha a sensação..você passa dias densos dentro de uma cápsula, se engolindo e deixando por conta do suco gástrico queimar aquilo que você é, aquilo que você foi.
Você para pra pensar no porquê de estar fazendo tudo isso, abre as cápsulas e se vê livre. Aos poucos vai se purificando... É uma sensação de liberdade superior. Ao cair da última realidade, abre-se o chão em alto volume, ecôa para todos os lados, ensurdece.
E se você não couber mais dentro de você e nem fora?
Não há mais espaço, não há como suportar.
Já rasguei os gráficos, já não calculo as porcentagens. As pessoas são incalculáveis. Todas as teorias caindo por terra e eu louca, a procura do um loco.
Não há fórmula para desvendar e não consigo revelar isso para o conteúdo das cápsulas.
Não existe em mim um pensamento que não seja linear e planejado. Sinto inveja das pessoas que se permitem sentir sem antes (durante e depois) analisar os sentimentos. Não existe em mim um pensamento que não seja linear e planejado. Da minha mente fiz minha cova, e nela deito cada dia durante mais tempo, até chegar o momento de, para sempre, deitar.
Você para pra pensar no porquê de estar fazendo tudo isso, abre as cápsulas e se vê livre. Aos poucos vai se purificando... É uma sensação de liberdade superior. Ao cair da última realidade, abre-se o chão em alto volume, ecôa para todos os lados, ensurdece.
E se você não couber mais dentro de você e nem fora?
Não há mais espaço, não há como suportar.
Já rasguei os gráficos, já não calculo as porcentagens. As pessoas são incalculáveis. Todas as teorias caindo por terra e eu louca, a procura do um loco.
Não há fórmula para desvendar e não consigo revelar isso para o conteúdo das cápsulas.
Não existe em mim um pensamento que não seja linear e planejado. Sinto inveja das pessoas que se permitem sentir sem antes (durante e depois) analisar os sentimentos. Não existe em mim um pensamento que não seja linear e planejado. Da minha mente fiz minha cova, e nela deito cada dia durante mais tempo, até chegar o momento de, para sempre, deitar.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Personalidade (ou ausência de)
Vou te dizer o que é perder a personalidade:
Perder a personalidade é quando você vê que você está em outras pessoas e não acha mais nenhum vestígio seu em si. Você olha no espelho e "hum, aonde foi parar você?!"
TCHARAM! Mais um post sobre fenômenos sociais. Não sobre a total perda de personalidade, mas sobre o vazio deixado por trocas de parte da personalidade.
É uma coisa muito interessante de se observar. Já viu na rua/em uma festa/na faculdade ou em qualquer lugar aonde pessoas frequentam, aquele grupo/trio/dupla que parece um só? Como assim minha gente?! Vamos aos cálculos, pegando como exemplo uma dupla de amigos. Uma pessoa X é ela 100%, e uma pessoa Y é ela 100%. O que aconteceu para que elas abrissem mão de 50% de suas personalidades para uma experiência, misturando essa meleca de 100% e compactando até ficar como 50% e dividir entre as duas, ficando então X com 75% e Y com 75%, deixando ambas um espaço de 25% em si para que qualquer resto de personalidade desgarrada de outrem se aconchegue ali?
É chegada a hora das pessoas se completarem com vestígios delas mesmas que por acaso se perderam poraí.
Perder a personalidade é quando você vê que você está em outras pessoas e não acha mais nenhum vestígio seu em si. Você olha no espelho e "hum, aonde foi parar você?!"
TCHARAM! Mais um post sobre fenômenos sociais. Não sobre a total perda de personalidade, mas sobre o vazio deixado por trocas de parte da personalidade.
É uma coisa muito interessante de se observar. Já viu na rua/em uma festa/na faculdade ou em qualquer lugar aonde pessoas frequentam, aquele grupo/trio/dupla que parece um só? Como assim minha gente?! Vamos aos cálculos, pegando como exemplo uma dupla de amigos. Uma pessoa X é ela 100%, e uma pessoa Y é ela 100%. O que aconteceu para que elas abrissem mão de 50% de suas personalidades para uma experiência, misturando essa meleca de 100% e compactando até ficar como 50% e dividir entre as duas, ficando então X com 75% e Y com 75%, deixando ambas um espaço de 25% em si para que qualquer resto de personalidade desgarrada de outrem se aconchegue ali?
É chegada a hora das pessoas se completarem com vestígios delas mesmas que por acaso se perderam poraí.
Você leu sobre:
crenças,
fenômenos sociais,
sanidade,
teorias
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Para morrer...
Sinto que as pessoas ao meu redor estão morrendo. Parece que consigo ver a vitalidade escorrer no ritmo do ponteiro do relógio.
É uma sensação estranha. As pessoas são vuneráveis. Suas vidas, efêmeras. E não há nada que se possa fazer ou prever.
Dá para aceitar que as pessoas se vão, mas o fato é que por alguma razão sádica eu as imagino morrendo a cada segundo que penso/falo com elas.
Não quero perder as pessoas que amo.
E conviverei o mínimo possível com quem começo/comecei/começaria a me apegar.
Pode parecer doentio, mas acho que é o que eu preciso no momento.
É uma sensação estranha. As pessoas são vuneráveis. Suas vidas, efêmeras. E não há nada que se possa fazer ou prever.
Dá para aceitar que as pessoas se vão, mas o fato é que por alguma razão sádica eu as imagino morrendo a cada segundo que penso/falo com elas.
Não quero perder as pessoas que amo.
E conviverei o mínimo possível com quem começo/comecei/começaria a me apegar.
Pode parecer doentio, mas acho que é o que eu preciso no momento.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Crenças
Acho que me afastei das crenças por medo. Medo que elas me dominassem, medo de virar fanatísmo. Parece que isso está piorando tudo, a ausência de um alguém superior e a luta contra o desejo de preencher esse vazio está me desgastando.
Outro medo é que, quando eu me permito acreditar, não sei porque diabos (desculpe a ironia), só acredito em coisas ruins e elas realmente acontecem.
Mando meus pensamentos (negativos) para a quarta dimensão e lá eles tomam o caminho que quero (pelo menos, acredito que é assim que funciona). E parece tudo tão natural e planejado. Será que as pessoas tem poderes?
A procura por sanidade e equilíbrio está me fazendo encontrar o oposto dessas duas coisas. Ando pensando demais e isso faz mal.
Não sei como me resolver.
Não quero ter dúvidas, quero me recolher a minha ignorância teológica, ficar num plano paralelo a tudo isso.
Outro medo é que, quando eu me permito acreditar, não sei porque diabos (desculpe a ironia), só acredito em coisas ruins e elas realmente acontecem.
Mando meus pensamentos (negativos) para a quarta dimensão e lá eles tomam o caminho que quero (pelo menos, acredito que é assim que funciona). E parece tudo tão natural e planejado. Será que as pessoas tem poderes?
A procura por sanidade e equilíbrio está me fazendo encontrar o oposto dessas duas coisas. Ando pensando demais e isso faz mal.
Não sei como me resolver.
Não quero ter dúvidas, quero me recolher a minha ignorância teológica, ficar num plano paralelo a tudo isso.
Assinar:
Postagens (Atom)