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segunda-feira, 5 de novembro de 2012


Sem muito se importar com o lugar.
Um quarto quadro em branco, um cenário vazio.
Crua.
A pessoa...vazia.
A ânsia.
Tudo dói,
o amor corrói o peito até não sobrar
mais nada...
mas nada o tempo respeita.
Nem o meu tempo
parado
estagnado
que tenta buscar um tempo
errado
que deixei de viver
por deixar de existir

respeito
ao luto
da própria comédia
sádica
da tristeza que vem
bem-vinda
mas não aceita.

Sorrateiramente:
A depressão chega
pela porta dos fundos
como o jardineiro
sujo de terra, suado
arrumando o jardim
das calhas alheias
das janelas da alma
que vem a calhar
por não ter força
pra cuidar
do próprio jardim



Flávia Lages

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

[Aviso: O post que você pretende ler agora contém grande quantidade de "sujo falando do mal lavado"]

- Te amo.
Ok, vamos começar por aí.

Porque uma hora ou outra, a gente diz. Grande parte das vezes por pressão ou hábito, outras por querer ouvir tal expressão em retorno. Poucas vezes pela pureza e transparência do sentimento. Tudo bem: seres humanos, equilíbrio, reciprocidade.
Não é uma questão de discordar do ato, mas quem estipulou esse equilíbrio?
E como entender a camuflagem? As pessoas não podem estar com quem amam sem comprá-las com presentes? Acho que existe um limite, sabe?! E é aí que se encontra o equilíbrio. Se existir um fator externo influenciando a relação, que ele entretenha todos os envolvidos, com o fator e entre si, como por exemplo, assistir um filme.
Acho que a essência da convivência está quando o que interage é apenas você e a(s) outra(s) pessoa(s). É fácil lidar com o que for, tendo outros elementos para distração.
Vamos trabalhar mais os valores do relacionamento ao invés dos monetários então?!

Ok, próximo assunto.
(ainda no mesmo. Desculpa, gente.)

Não sei se as pessoas tem preguiça de relacionamentos ou então elas acham que o melhor relacionamento é aquele em que tudo está ótimo. Será que é excesso de conto de fadas?
Se não existem brigas e discussões, como você pode ter parâmetro pra dividir o que é bom e o que é ruim e realmente aproveitar quando as coisas estão boas? O Equilíbrio do relacionamento se encontra aí, além do que, precisa ser mantido também numa questão hierárquica, lembrando que ninguém é melhor do que ninguém. Se sujeitar a periferia de um relacionamento faz mal, tanto quanto carregá-lo nas costas. E por favor, não podemos esquecer que cada pessoa é ela-mesma 100%, logo, havendo qualquer doação de alguma das partes do relacionamento, há um desequilíbrio (vide esse texto, qualquer dúvida. Não é diretamente explicativo, porém esclarece de um modo geral).



Não tenho algo conclusivo pra fechar o que escrevi, porém, acho que não é muito difícil tirar as próprias conclusões.
E acho que isso pode ajudar algumas pessoas que vieram pedir conselhos (ou não).


Boa sorte!

domingo, 20 de março de 2011

As vezes, muito raramente, a vida resolve dar uma brecha e nos dá alguns dias suaves e delicados, fazendo com que o passado amadureça e nos permitindo seguir em frente. Não sei bem se é em frente, ou talvez seja pros lados, ou mesmo pra trás.
Eu me sinto culpada por não sentir culpa, não sentir falta e não sentir...não sentir nada. Eu segui em frente, mas eu não queria ter seguido. Queria sentir remorso. Sentir que saí de um relacionamento que valeu a pena. Então vejamos. Eu anulei 2 anos da minha vida em um relacionamento bizarro e estranho que até hoje não sei explicar, de uma amizade obsessiva camuflada de amor, e depois simplesmente resolvi reservar mais um ano pra que eu pudesse choramingar e achar minha vida uma droga. Pois então. Depois de 2 anos turvos, minha vida passou a ser legal, bonita e cheia de flores. Até aí ok, só que eu penso que na vida a gente não pode pular etapas, porque as vezes elas voltam quando você está andando na corda bamba. Taí, ainda não tive meu luto do relacionamento, sinto que preciso tê-lo, fico forçando e não consigo porque eu simplesmente to feliz e continuei feliz.
Pode ser que eu tenha me acostumado tanto a sofrer, a estar sempre doente e triste que eu não me sinta a vontade estando bem.
Logo, concluo - de um modo bem confuso - que: As pessoas precisam se acostumar com o fato de eu ainda não me acostumar com o fato de eu não estar a vontade pra que então eu possa me acostumar e ficar a vontade.
É, é basicamente isso.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vermelho Sangue

Seu cabelo macio, anelado, vermelho sangue.
O carro, a chuva, o rádio.

A gente já não se falava mais.
Mãos suadas, tempo denso.

Eu esboçava com os dedos no vidro embaçado.
Você de fato não estava ali.

Passávamos pela rua do centro.
Nosso momento passou.

A chuva apertava, o coração, as flores.

A casa, gotas de tinta no chão.
Nostalgia.

Eu me perguntava.
Eu te perguntava.

Distância.
Quanto tempo mais?
Sinto muito.
Para outra cidade.

15 anos após o descaso,
o acaso.

Viagem.

O campo, a grama, a toalha.
O violão.

Você?

Café, biscoitos.
Serenata.
Lembranças, sorrisos.

Sol, nada para se ouvir além de nós.
Gargalhadas, vergonha.
Um charme,
Nostalgia, saudade.

Arrependimento.

Medo, batidas do coração, você.
Que será?

Abraço, carinho, sorriso.
Cabelo macio.
Curto?

O peso do tempo, a ausência.
Dor.


Vermelho sangue,
pôr-do-sol,
paixão,
o amor que nunca se foi.

Nós.

sábado, 30 de outubro de 2010

"Quem tem medo de brincar de amor?"

Escrever pra quê? Qual o por quê disso tudo?
Escrever para arrancar do peito toda a confusão, organizar em letras e digerir.
Indigesto. Vomitar tudo e limpar a bagunça. Refazer.
Os ponteiros do relógio já não servem pra contar o tempo da pulsação. O sangue já não se aguenta nas veias. Tudo é tão frágil.
O que é o amor? Me diz, o que é Amor?
A quem amar, para quem se doar...Se doar? Se doer?
Efêmero...substitui, tu e substitui? O vento o que faz?
Quantos mais? E o que acabou, o que sumiu, o que se cortou...deixar?
Não volte pra casa, nunca volte para casa.
Não voltarei tão cedo.
O certo e o errado. Uma pessoa só uma pessoa só uma?
Todos, amará, amar a todos.
Por quem lutar?
Não é ético, não é certo. E quem disse que é? Que não é? E quem não é?
Quanto tempo podemos, temos?
Para amar. Mar.
Quanto tempo tens?
Em quanto tempo tens?


da CULPA.

O que forma a culpa? O que deforma?
De que forma. Quem afirma?

Deixo levar qualquer aperto que venha do que passou. Passado passou.
Quem se fez presente?
PRESENTE SE FEZ.
o presente.
no presente.
se fez.
se faz.

Faz-me no seu presente, agora.

Vou pedir.
e por favor,
faz.



Em quanto tempo a gente pode amar?
Em quanto tempo a gente pode se desarmar?

Autorizada estou?
Não, pois não.
E de volta ao certo e errado.

Aqui venho, assino aqui minha sentença.

Me permito. Me censuro.
Me guardo.

Admito.
Minto para mim. Min to para min.

De onde veio o ódio?
Quem permitiu a metamorfose?
Ódio feito, ódio será.

Não.

AMOR.
nasceu.

Por que?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Citação

Olá pessoas, tudo bem com vocês?
Comigo tudo tinindo trincando.
Não costumo fazer citações porque não costumo adquirir conteúdos dignos de citações, mas estou num momento exceção.
É um trecho de Helena, do Machado de Assis, que gostei, então, aí vai:


" - Não digo que o ame desde já; mas a afeição que êle me tem, refletirá em meu coração, e eu virei a amá-lo. O que importa saber é que é digno de mim. De todos os que me pretendessem nenhum lhe seria superior.
- Ainda bem! Contudo, repare que vai contrair uma obrigação perpétua, e que um contrato dêstes não pode ser deliberado em poucos instantes.
- Oh! nesse ponto a minha ignorância sabe mais do que a sua teologia. Que são minutos e que são meses? Paixões de largos anos, chegando ao casamento, acabam muitas vêzes pela separação ou pelo ódio, quando menos pela indiferença. O amor n ão é mais que um instrumento de escolha; amar é eleger a criatura que há de ser companheira na vida, não é afiançar a perpétua felicidade de duas pessoas, porque essa pode esvair-se ou corromper-se. Que resta à maior parte dos casamentos, logo, após os anos de paixão? Uma afeição pacífica, a estima, a intimidade. Não peço mais ao casamento, nem lhe posso dar mais do que isso."


espero que gostem!
Beigos!

p.s.: escrevi de modo a ficar fiel ao livro, por isso há de se estranhar algumas acentuações.