quinta-feira, 21 de abril de 2011

Travesseiros fundos,
Seu lado foi ocupado?
Inspira, expira.
Respira.

Olhos fundos,
Seu sentimento foi ocupado?
Inspiração.
Respiração.
São sãs.

Você está ocupado?
Perceba, veja, atine.
Há tempo.

O vento rondou,
O veleiro chega aonde quiser.

Não esqueça, aonde quiser.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Amigos? Família?

Família.
São aquelas pessoas que estão presentes, mesmo quando ausentes. Que podem não te ver por 1, 10, 20 anos, mas não diminuem em um mm³ o sentimento, respeito e estima por você. Com quem você pode contar até mais além do que o famoso "para sempre". Quem, de algum modo, te eleva a um nível astral superior. Pode até acontecer com pessoas que não tem o mesmo sangue.

Amigos.
São aqueles que estão geograficamente ou virtualmente com a gente, nos fazem companhia, riem e choram e nos elevam a um estado de êxtase momentâneo a cada vez que os encontramos. São pessoas que podemos contar, confiar e confidenciar, porém estes somem quando o mutualismo deixa de existir. Amizade é algo efêmero. Sempre. Pode até acontecer entre pessoas do mesmo sangue.

Aonde você se encaixa?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Algumas pessoas olham atravessado, é como se eu andasse chutando a minha cabeça. Ei, minha cabeça está acima do pescoço e pretendo deixá-la neste lugar por um bom tempo!
Eu poderia muito bem sentar e fazer o tempo passar mais ou menos na maior velocidade possível que eu consigo dominar. Posso pular a minha vida pra parte em que eu me canso de dizer a pessoa que amo que essa história de querer filhos é bobagem, que os pisos da sala ficam bonitos quando combinados com a cortina verde, e que foi uma ótima idéia mudarmos para uma cidade do litoral. Então agora posso me preparar para ter meu filho e envelhecer. Posso viver com minha aposentadoria, fazer algumas viagens e pensar que quem está do meu lado, bem... é alguém que eu amo, mas que eu não gosto muito já faz algum tempo. As horas tem uma duração maior, porque brigamos por coisas fúteis. Acho que é o hábito. Depois de nos juntarmos em uma pessoa só, deixamos de brigar por nós...
Ohhh! Tudo foi tão rápido. Dominique com o olhar profundo me chamou, segurou em minhas mãos por um momento e em uma fala pausada e adulta, embora eu pudesse ver claramente sua adolescência escorrendo para fora de seus poros, sussurrou:
- Ei mãe, estou saindo de casa. Já é hora. Tenho um bom emprego, namoro e não quero criar mais problemas pra vocês.
Então saiu pela porta da frente, então saiu de dentro de mim, saiu da minha cabeça, saiu e me deixou aqui, com meus poucos anos, antes que tudo pudesse acontecer, ele me deixou antes de existir.

domingo, 27 de março de 2011

Eu finalmente entendi!
Não importa o tempo que as pessoas ficam na sua vida, ou a frequência. Sinceramente, nada disso importa, porque há uma tendência a seguir caminhos diferentes e a gente é obrigado a lidar com isso, e NÃO, não se pode ter remorso, não se deve sentir dor, porque as é assim que as coisas são. Puxa vida, é tão simples! É que é meio óbvio e clichê, ou talvez por estar pensando em outras coisas, nunca conseguir absorver esse negócio de "viver o presente", mas agora tudo ficou tão claro!
Não que eu vá fazer isso, mas achei bem legal compreender.

domingo, 20 de março de 2011

As vezes, muito raramente, a vida resolve dar uma brecha e nos dá alguns dias suaves e delicados, fazendo com que o passado amadureça e nos permitindo seguir em frente. Não sei bem se é em frente, ou talvez seja pros lados, ou mesmo pra trás.
Eu me sinto culpada por não sentir culpa, não sentir falta e não sentir...não sentir nada. Eu segui em frente, mas eu não queria ter seguido. Queria sentir remorso. Sentir que saí de um relacionamento que valeu a pena. Então vejamos. Eu anulei 2 anos da minha vida em um relacionamento bizarro e estranho que até hoje não sei explicar, de uma amizade obsessiva camuflada de amor, e depois simplesmente resolvi reservar mais um ano pra que eu pudesse choramingar e achar minha vida uma droga. Pois então. Depois de 2 anos turvos, minha vida passou a ser legal, bonita e cheia de flores. Até aí ok, só que eu penso que na vida a gente não pode pular etapas, porque as vezes elas voltam quando você está andando na corda bamba. Taí, ainda não tive meu luto do relacionamento, sinto que preciso tê-lo, fico forçando e não consigo porque eu simplesmente to feliz e continuei feliz.
Pode ser que eu tenha me acostumado tanto a sofrer, a estar sempre doente e triste que eu não me sinta a vontade estando bem.
Logo, concluo - de um modo bem confuso - que: As pessoas precisam se acostumar com o fato de eu ainda não me acostumar com o fato de eu não estar a vontade pra que então eu possa me acostumar e ficar a vontade.
É, é basicamente isso.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ok, rapaz.

De tempos em tempos eu caio na real. Tremer, gaguejar, chorar. O estômago corroendo, a cabeça corroendo. E eu não consigo explicar de uma forma clara, de um modo que as pessoas compreendam o que se passa. Mas eu vou tentar mais uma vez.
Eu levo mais ou menos duas horas pra cair no sono. Eu arquiteto planos, antes de dormir, grandes planos. Do dia seguinte, do mês seguinte, do ano seguinte, do futuro. E para cada caminho, já prevejo as opções, os desvios, tudo. E faço isso com tudo. Ok, querem um exemplo... Vejamos, eu vou dormir e penso: "amanhã eu devo acordar e desenhar". Então já planejo a folha, a cor do lapis, o desenho, a borracha, o lugar, a hora, quais músicas vou ouvir. Isso é apenas uma das coisas que penso. Passo mais ou menos duas horas pensando, como eu disse, certo? Então, imagine as milhares de coisas que passam pela minha cabeça. O fato é que eu não ponho em prática, ou ponho mas não do jeito utópico com todos os detalhes que pensei. Isso dói, dói demais. Uma coisa é você decepcionar alguém, outra coisa é você se decepcionar e conviver com uma culpa só sua direcionada para você mesmo.
Eu sempre fui protegida. Eu fui a filha protegida...ou talvez largada. Não sei bem ao certo, mas sei que as intenções foram boas. Não os culpo. Eu criei uma bolha ao meu redor que me protege de um jeito doentio. Eu analiso tanto, mas tanto...Eu simplesmente não me arrisco. Eu observo, porque as pessoas, elas fazem as coisas, elas cometem erros, muitos erros, e eu me limito a aprender com os erros delas. Eu não tenho coragem de comenter meus próprios erros. Os velhos são sábios, eles dizem: "Eu já vivi e sei que tal coisa e tal coisa acontecem da forma tal e tal". Sim, eles sabem...mas e eu?
Eu preciso sentir pra aprender. "Vivendo e aprendendo", nunca dei atenção pra essa frase porque ela é simplesmente um saco, mas se você parar pra pensar, é bem isso. O problema, é que eu não faço a minha parte, quando se trata de "viver".
Eu me diagnostiquei com uma doença que chamo de "Lupus mental". Tenho pensamentos auto-imunes.
Há um ano atrás eu entrei numa relação e lutei por ela com todas as forças. Acho que no fim das contas eu não queria a relação, eu talvez só estivesse numa inércia tal que precisasse ter pelo que lutar. Eu sabia que estava errada, estava errando, mas entrei de cabeça. Sabe, eu nunca cresci tanto.
Eu tenho uma auto-estima praticamente inexistente. Eu acredito não merecer a amizade ou o amor das pessoas. Eu acredito não agradá-las, física e psicologicamente, de forma alguma. Então eu simplesmente insisto nisso e as afasto de mim. É assim que eu faço. Então eu nunca sei quando alguém gosta de mim, porque eu censuro a pessoa. E eu sempre acho que ela fala tudo que fala apenas pra me agradar, do tipo "ah, ela é uma coitada, vou ajudá-la com algumas palavras de consolo". Eu me sinto como um estepe na vida das pessoas. Eu as faço rir, eu faço piadas, brincadeiras...Sou mais ou menos como uma TV. Você sabe, uma TV você desliga quando cansa. E eu já acostumei tanto com o fato de que, quando eu estou alegre (ou aparento estar) e fazendo piada, as pessoas se fazem próximas, que eu não me permito ficar de outra forma. Então, por mais que eu queira e precise estar chorando, eu vou estar rindo.
Nesse exato momento, neste parágrafo, parei pra analisar o texto, coisa que uma pessoa normal não deveria fazer. Todos os parágrafos começaram com "eu". Como isso me incomoda. Não consigo não me auto-criticar a cada respiro que dou. Estou escrevendo um texto explicativo sobre mim. Que doentio.
A única coisa eterna, linear e invariável que podemos ter é a morte. Morrer é algo utópico. Tenho carinho pela morte. Não que eu vá me matar, porque tenho carinho por mim também, ou sei lá, pela minha pseudo-vida. E sou muito correta pra fazer algo tão aleatório assim. Lembrando que, eu ia pensar tanto e arquitetar tanto que eu nem conseguiria morrer e morreria de desgosto por causa da decepção (?).
Eu cada dia falo menos. Minha fala não acompanha a velocidade do meu pensamento. Então apenas deixo de falar. Escrever é melhor.
Só publiquei isso porque quero que as pessoas me entendam, de uma vez por todas.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Domingo me engoliu
domingo me embolia
difícil é respirar domingo
como um bom dia.